sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Escola e Literatura - Formação de leitor .

 

 “Ler é deixar o coração no varal; é descobrir-se na experiência do outro.” Bartolomeu Campos de Queiroz.

             


            No texto Escola e Literatura, me chama atenção quando observo algo que é presente nas escolas, vejamos;

(...) Muitas vezes, adestrar é mais viável e cômodo que educar. O primeiro demanda apenas informações como exigências de repetições. Educar implica escutar, pois só nos é possível compreender  “quem” é o outro quando ele se diz.(...). (QUEIRÓS, 2012,p.85).

A escola pública tem uma grande responsabilidade, entendo que ela não é única responsável pela transformação da sociedade, porém está em suas mãos à condição de diminuir tanta desigualdade existente, então nos professores precisamos fazer deste espaço o melhor lugar e entendermos nosso importante lugar na sociedade.

            Li também o texto Ler é deixar o coração no varal, onde ele começa a falar sobre o livro chamado Coração não toma sol que escreveu sobre suas experiências, sobre sua preocupação em agradar o outro, e muitas vezes não permitir se relevar como é, nem mesmo para si. Durante essa leitura maravilhosa, me deparo com um trecho que revela a importância dos educadores, pais, responsáveis, deixarem alunas (os), filhas (os), crianças a manusearem o livro como quiserem; morder, chupar, rasgar... Esse é o seu contato com o livro e muitas vezes no primeiro contato acontecerá isso, pois é algo novo. Notemos:

A criança manipula o livro de cabeça para baixo, do meio para o fim, de cabeça para cima. A liberdade lhe permite isso. Só em liberdade inventamos e reinventamos o mundo. A liberdade é que conduz o leitor, leitura afora. O livro didático “ensina”, enquanto o livro literário possibilita discutir o destino. A criança é que elege a sua leitura e atribui ao objeto livro o que ele tem a lhe dizer. O livro é um objeto e a criança, o sujeito. Nesta relação, é o sujeito que fala. (QUEIRÓS, 2012, p.92).

 Não podemos reprimir, restringir esse momento único do sujeito com ele mesmo. Essa manipulação que para alguns adultos não fazem sentido, é a criança desconstruindo para nós, mas internamente ela está se organizando, desta forma está se construindo o futuro leitor.

            Finalizo com esse trecho;

(...) O livro se faz passaporte para viagens por terras conhecidas ou fronteiras ainda por conhecer. Na leitura literária, todo sonho é possível, todo absurdo, explicável, redes são tecidas, e o conhecimento, manifesto. (QUEIRÓS, 2012, p.86).

Concordo que o livro é o nosso passaporte! Assim nos futuros professores/ professoras precisamos apresentar a estes alunos este passaporte, e os deixar viajarem neste lugar, que permiti-nos sair da nossa realidade, que às vezes são cruéis, e sonharmos sem ter medo!


QUEIRÓS, Bartolomeu Campos de. Escola e literatura, p.85-87 e Ler é deixar o coração no varal, p.89-97. Sobre ler, escrever e outros diálogos. ABREU, Júlio (org.). Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2012. (Série Conversas com o Professor).         


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2 comentários:

  1. Viajar com a leitura de um livro é ultrapassar os limites! Um bom livro é sempre um bom companheiro! Vai nessa força!

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  2. Perfeito sua escrita!!! Fico feliz que tenha gostado. Qualquer dica é só falar.
    Abraços

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